Enquanto todos reclamavam do calor absurdo que fazia no Brasil no verão esse ano, eu praticamente “congelava” diante de uma das paisagens mais lindas que eu já vi no inverno europeu. Estava, mais uma vez, no país dos relógios e chocolates, que é também um dos destinos mais requisitados pelos turistas na estação. Com 70% do território ocupado por montanhas e seus famosos alpes que podem ser vistos onde quer que você vá, a Suiça é o cenário perfeito para quem gosta de frio…de muito frio. Já no momento da aterrisagem no aeroporto de Zurich, já dava pra ter uma idéia do que eu iria encontrar. Tudo estava completamente branco: a pista, as árvores, os telhados das casinhas com suas chaminés (iguais aquelas que nós desenhávamos na infância), as montanhas; como se um cobertor de neve tivesse coberto aquele pequeno país. Difícil era a gente saber onde terminava o chão e começava o céu.

 


Nas ruas, a paisagem urbana também ganhou contornos diferentes, não menos encantadora que a natural. A forte nevasca que caía todas as tardes – inesquecível para quem vem de um país tropical – ia mudando as cores dos carros que circulavam devagarinho para não derrapar, e das pessoas chiquerérrimas em seus belos casacos, luvas e botas. Essas nem tão eficazes na verdadeira “pista de patinação” que se forma quando o gelo derrete no chão. Apesar de todo o cuidado e elegância, volta e meia alguém derrapava e caía. E ninguém ri, viu? Em parte pela educação incrível das pessoas, e também porque não passa de mais uma cena comum de um dia de inverno na vida daqueles personagens rosados (se eu disser brancos vai parecer redundante) de “filme natalino”.

 

Talvez seja resultado da mistura cultural germânica, italiana e francesa, que são os idiomas falados no país. Ouvi-los e observá-los, claro, é o tipo de experiência interessante e que não lhe custa nenhum franco suiço. Nada mais cult e inspirador, concorda?

Apesar de não falar uma palavra sequer em alemão e o inglês não ser, digamos, muito popular por lá, não tenho do que reclamar uma vez que é possível se virar em Zurich. Como a cidade é pequena, não é difícil se situar sem precisar pedir muitas informações. Meu conselho é fazer um passeio a pé para contemplar a bela arquitetura da cidade e as paisagens ao redor. No final da Bahnhofhstrasse – a famosa avenida onde você encontra as grifes mais caras do mundo – você vai encontrar o lago de Zurich e uma vista maravilhosa para os alpes. Numa hora dessas a temperatura, que nessa época varia entre -2 e 4 graus é o que menos se sente perto de tantas outras sensações . E falando em sensações, como ir a Suiça e não provar os chocolates, os foundues? A qualidade da comida é indiscutível, já que tudo é preparado com requinte, sofisticação e muito sabor. Sempre digo que se por acaso alguém erra o pedido, acaba acertando.

 

Andar de trem, passear pelas ruas, esquiar nas montanhas, descobrir as peculiaridades da cultura e culinária são só algumas das centenas de coisas que se pode fazer no inverno europeu. Aliás, quem acha que o frio só é bom para ficar debaixo dos cobertores, vai descobrir na Suiça, que o prazer vai muito além dos chocolates, dos queijos, dos foundues, dos vinhos, dos relógios…Nota dez em todos os quesitos, na Suiça, abaixo de zero só mesmo na temperatura.