quinta regaleira capa

Era domingo em Lisboa e eu não tinha a menor ideia do que iria fazer. A  romântica vila de Sintra me parecia uma boa opção,  pois além de estar a apenas a 30 km de distância, a vila tem muitos lugares históricos, como Palácio da Pena, Castelo dos Mouros entre outros. Mas um deles me chamou atenção: a Quinta da Regaleira, antiga propriedade de um luso brasileiro que, ainda hoje, intriga os visitantes e historiadores, com os seus símbolos quase que indecifráveis.

Pelas fotos que vi na internet,  não tive dúvidas. Chamei o Uber, o que me custou apenas 25 euros até a Vila. [Dica: se você está em grupo, o aplicativo pode custar muito  menos que um passeio turístico individual, onde se paga em média 70 euros/pessoa]. Meia hora depois estávamos lá, e logo na chegada, o mapa do local já dava uma pista do misticismo, dimensão da propriedade e quantidade de jardins, algo que você percebe caminhando. Em menos de duas horas é impossível ver tudo. E  para entender o significado  dos elementos, certamente você precisará de um pouco mais de tempo.

 

Palácio do Monteiro dos Milhões

As construções, em meio aos bosques e jardins, foram idealizadas pelo antigo proprietário Antonio Augusto Carvalho Monteiro e remetem à mitologia grega, alquimia, maçonaria e à obra de Dante. Aliás, eu achei que havia ate uma certa obsessão do tal do Augusto, pelo divino e o obscuro, o que é possível perceber nas referências religiosas, elementos da natureza, esoterismo e  deuses gregos. [pense: ao imaginar uma época onde o conhecimento sobre o sobrenatural ainda era pouco discutido, poucos tinham acesso à alquimia, e a religião era uma forte referência para explicar o inexplicável, fica mais fácil entender essa “angústia” e busca pela materialização dos conflitos vividos pelos grandes pensadores, artistas ou simplesmente milionários sincretistas, como o Augusto Monteiro, que com a ajuda do arquiteto italiano Luigi Manini, connseguiu contruir um conjunto de templos]. Tudo isso isso torna a experiência ainda mais interessante.

O palácio foi erguido no começo do século passado e mostra uma mistura de estilos arquitetônicos como o renascentista, o gótico e o neomanuelino: um prato cheio para qualquer arquiteto e historiador. São torres, arcos, estátuas, fontes e muitas escadarias.

Nessa miscelânea de coisas, os quatro hectares da quinta reservam boas surpresas para os visitantes como grutas subterrâneas (que mais parecem passagens secretas) e que te levam à cascatas e pequenos lagos.  A construção mais intrigante de todas é o Poço Iniciático: uma torre invertida de 27 metros, com escada em espiral e que foi construído, segundo a história,  para representar a ligação entre céu e inferno (olha o Dante aí outra vez).  No fundo do poço a Rosa dos ventos faz referência à ordem Rosa Cruz.

Destaco ainda a Capela da Santíssima Trindade, o Palácio com sua luxuosa decoração (em muitos estilos, pra variar) e a Torre da Regaleira, onde disseram que eu me sentiria no eixo do mundo, mas…..gostei bastante da vista!

As pessoas se divertem atravessando os túneis, descendo e subindo escadarias, andando sobre as pedras do lago e tirando fotos das contruções e elementos esotéricos, numa experiência em que o significado oculto parece menos interessante que o resultado final da obra. Que continue oculto….e que continuemos a tentar decifrar…..