hk

O que faz de Hong Kong uma cidade única? As minhas respostas poderiam ser inúmeras neste texto, mas não seriam tão convincentes, acredite. A razão é simples: HK não é uma cidade para ser descrita e sim “experimentada”, no sentido mais literal da palavra. É preciso viver “in loco” todas coisas que fazem dessa cidade, que também é um país, o lugar dos “lugares incomuns”.

Hong Kong é discrepante, intrigante e dona de um cenário onde nada faz sentido – e isso faz todo sentido – afinal são séculos sob forte influência chinesa e 150 anos de domínio colonial inglês. Some-se isso o fato de, durante décadas, ter sido um ponto de intersecção entre “mundos” que a colocaram numa posição de destaque no cenário artístico e cultural.

É caminhando pelas ruas da cidade que entendemos toda essa dissonância e herança de culturas oriental e ocidental. Arranha-céus  se misturam a templos e mercados de rua, onde os chineses conservam antigos hábitos e tradições, seja na arte de negociar e de vender. E não ache estranho se encontrar numa mesma rua, lojas de grifes famosas e mercados de peixes vivos e frutas frescas. Hong Kong comporta tudo isso num mesmo quarteirão, sem o menor critério ou lógica. Aliás, existe alguma lógica em não poder chamar uma pessoa nascida em HK de chinesa? Pois é preciso cuidado ao se referir a qualquer nativo da cidade como chinês. Eles não aceitam e ponto final.

Desbravando HK

Circular pelas ruas com uma câmera na mão já é, por si só, um passeio e tanto. Capturar nativos em atividades quase que primitivas e executivos das mais diferentes nacionalidades pode ser bem interessante, mesmo para os turistas mais distraídos ou preocupados apenas em circular por pontos famosos. Se o intuito é esse, a cidade oferece dezenas de passeios para turistas, que poderão visitar templos, mercados, parques e, claro, fotografar os arranha-céus de diferentes ângulos e altitudes.

Se a ideia é fazer os passeios turísticos, comece pela Hong Kong Eye,  a mais nova atração da cidade. O observatório foi criado nos moldes da London Eye, mas tem um tamanho menor e a proposta da vista dos prédios da cidade. O problema é ter um dia de céu limpo para ver a cidade de cima! Se o observatório não atender suas expectativas para ver a selva de pedras, vá até Victoria Peak. Conhecida como The Peak, a montanha fica na Ilha de Hong Kong, sendo possível visualizarmos toda a região central, o Porto de Vitória e ilhas vizinhas. O por do sol é imperdível! Ali assistimos a cidade acender suas luzes e ganhar uma outra tonalidade.

 Avenue of Stars é, digamos, a atração turística mais ocidental de Hong Kong, em Tsim Sha Tsui. A “calçada da fama” em estilo hollywoodiano, é uma homenagem aos atores e diretores asiáticos que fizeram história na indústria  cinematográfica de Hong Kong. Além de super estruturado, o lugar oferece uma vista incrível para a baía, um dos cartões postais mais conhecidos mundialmente.

Templos

Eles ficam escondidos entre parques verdes, que por sua vez estão quase que “perdidos” entre prédios modernos. São lugares sagrados para os chineses, com atividades religiosas frequentes. Nesses locais temos oportunidade de conhecer de perto a arquitetura de antigas dinastias, bem como ver devotos fiéis budistas e taoístas realizando rituais antigos. Destaco aqui o Chi Lin Nunnery e o Tian Tan Buddha.

O Chi Lin Nunnery é um grande templo budista de arquitetura em madeira. O silêncio só é quebrado pelos mantras cantados por monges e devotos que fazem preces e oferendas no hall onde ficam as divindades budistas. Agregado ao templo, está o jardim Nan Lian Garden, construído no estilo da Dinastia Tang. Vale a pena a visita.

O Tian Tan Buddha fica em Ngong Ping Village, na ilha de Lantau. A vila está no alto de uma montanha, com várias lojinhas, restaurantes e muito verde em volta. Embora o lugar seja bem turístico – e isso quer dizer que há milhares de pessoas circulando diariamente – a Ngong Ping ainda conserva uma certa paz e um ambiente religioso, até porque ali também está o famoso Po Lin Monastério. O Buda gigante representa a harmonia entre o homem e a natureza.

Para chegar na montanha, pegamos o Ngong Ping 360, que por si só, já é uma atração. O teleférico é o mais longo da Ásia, com quase 6km de extensão percorridos em 25 minutos.

Restaurantes

Esqueça essa história de que se come mal na China. Pelo menos em Hong Kong não há motivos para reclamar, ainda que você não seja fã da cozinha oriental. Além de muitas redes de restaurantes internacionais, com culinária ocidental, a variedade de peixes e frutos do mar da cozinha local, faz qualquer um esquecer o preconceito com a comida chinesa.

Para quem gosta de sofisticação, há restaurantes requintados com vistas incríveis para a cidade. Que tal jantar no 112 andar do ICC Tower Ritz Carlton e ter a cidade inteira a seus pés? Outra parada obrigatória é o Lan Kwai Fong, área noturna agitada com quase cem restaurantes e bares.

Inconclusa

Escrever sobre Hong Kong é quase tão difícil quanto tentar compreendê-la. Talvez por isso seja praticamente impossível conhecer a cidade numa única viagem ou não se surpreender a cada visita. E não importa quantas vezes você for, sempre haverá algo novo para ser visto ou descoberto no lugar onde tradição e modernidade caminham lado a lado. O que faz de Hong Kong uma cidade única? É preciso, de fato, “experimentar” para descobrir.