2013-10-22 12.11.42

Sempre que eu ouvia alguém dizer que Morro de São Paulo era um dos lugares mais bonitos do Brasil ficava imaginando se eles não estariam exagerando. Embora eu seja baiana e tenha estado em muitas praias e ilhas de belezas naturais, só fui conhecer esse destino turístico (tão procurado pelos gringos) há pouco mais de um ano e, acreditem se quiser, não sou a única, já que muitos soteropolitanos não conhecem esse paraíso que fica tão perto de Salvador.

 

Indo para Morro

Há três opções de viagem até Morro de São Paulo, que fica na Ilha de Tinharé. Saindo do terminal marítimo de Salvador a viagem dura cerca de 2h e meia via Catamarã. A dica é pegar esse transporte pela manhã, de preferência, quando o mar não está agitado. A minha experiência de Catamarã não foi nada feliz.

Quem não quer correr o risco de enjoar pode fazer um roteiro alternando mar e terra.  Vai até Itaparica (de lancha ou Ferry), de lá segue de ônibus mais 130km até o atracadouro de Bom Jardim em Valença onde pega outro barco até a Ilha.

Uma excelente opção, embora bem mais cara, é pegar um táxi aéreo, num vôo direto de apenas 20min.

 

 

Chegando  na ilha…

Eu juro que esperava chegar num porto melhor e mais organizado. O trapiche de concreto, onde os barcos chegam, é pequeno e bem tumultuado. Pior mesmo é na hora de ir embora, com transportes atrasados, cancelados e embarcações disputando o espaço pequeno para atracar.

Não irei detalhar muito para não tirar seu ânimo já que ainda estamos na chegada e, claro, nem mesmo a taxa ambiental (que ninguém avisa, mas que você é obrigado a pagar para entrar na ilha), tira sua disposição. Disposição que você vai precisar para subir o ladeirão até a vila, (fundada em 1535) e depois descer, subir, descer… Ali eu entendi o real significado do nome Morro de São Paulo.

Passando pelo Portaló – monumento construído para conter as invasões holandesas – depois da ladeira você avista a Igreja colonial de Nossa Senhora da Luz na pracinha. A vila é bem charmosa, com uma única rua estreita cheia de pousadas, restaurantes e lojas. É preciso caminhar cerca de 15 min. até as praias, já que não passam carros por lá. Pra quem não é mochileiro e anda puxando malas, a saída é contratar o “táxi” local, um carrinho de mão que leva quase tudo.

 

As praias

A primeira praia, a menor da ilha, quase não é frequentada pelos turistas, que são muitos, de todos os lugares do mundo. O buxixo mesmo fica na segunda, onde a maioria dos visitantes se concentra nas dezenas bares, restaurantes e hotéis, quase todos com música ao vivo. É na segunda praia onde acontecem os luais e festas, além é claro, de ser muita bonita. Cercada de corais e arrecifes, a praia nunca tem ondas, o que forma piscinas naturais excelentes para banho e mergulho.

 

É na segunda praia onde fica a central de turismo, de onde saem os transportes para a quarta e quinta praia – alguns jipes credenciados e tratores adaptados a assentos. Apesar de interessante e até engraçado, é preciso um pouco de espírito aventureiro para ir chacoalhando até os hotéis mais afastados. Não fosse pelo estado de conservação da estrada, o trajeto seria mais curto. Não tem jeito. Se quer uma praia mais privativa, precisa esperar o transporte do hotel (que as vezes demooooora pra passar) ou pagar um taxi.

 

Chegando na quarta praia, a beleza e a tranquilidade compensam toda a odisseia da chegada. A praia é linda, extensa e praticamente deserta. Pra quem procura conforto e sossego, há hotéis e resorts muito bons, com toda infra estrutura necessária para merecidos dias de descanso. Para ir até a vila à noite, eu preferia fazer o trajeto a pé, pela praia (a maré tem que está baixa) mas há umas charretes que te levam até o início da terceira e de lá você segue caminhando.

 

Passeios

Há muitas opções de passeios para quem não quer ficar apenas em Morro de São Paulo. Um deles é o passeio de lancha que contorna a Ilha de Tinharé, parando nas piscinas naturais de Moreré, Garapuá, Ilha de Boi peba e cidade de Cairu. Se você não gosta de andar muito, fique em Boi Peba ou vá apenas até a praia de Tassimirim, que é linda. Fazer passeio ecológico no sol quente não é nada saudável e muito cansativo!

Quem não está a fim de passar o dia inteiro fora, uma boa opção é o passeio de 4×4, que vai pelas trilhas até Garapuá e praia do Encanto, uma praia lindíssima cercada de coqueiros e mangues onde você anda, anda, anda e a água não passa do joelho.

 

Morro

O ideal é ficar pelo menos quatro dias para poder fazer os passeios, conhecer a ilha e os habitantes locais, hoje formados também por muitos franceses, espanhóis, italianos e argentinos. Depois de alguns dias você entende que Morro de São Paulo não conquista os turistas apenas pelas suas praias e águas transparentes. O astral do lugar e, sobretudo, a diversidade atrai pessoas de todos os perfis e gostos. Gente que foi passar alguns dias e acabou ficando por lá pra sempre.

Se seu objetivo é ir passar alguns dias, escolha períodos de baixa estação, onde não haverá muita gente e os preços de tudo estarão mais acessíveis. Por mais que exista uma estrutura boa de hotéis e restaurantes, a infraestrutura do lugar ainda deixa a desejar.

Muita gente na ilha, pouca organização e o calor escaldante da Bahia talvez não sejam os melhores ingredientes para quem busca férias tranquilas. Ainda assim, já que eu posso ser dicotômica, devo afirmar que é um lugar de belezas incríveis e que compensa todo e qualquer esforço.  Já que estamos no Brasil…..