Condomínio típico americano

Por maior que seja meu desejo de civilidade e imparcialidade, é difícil conter minhas opiniões inflamadas sobre política, especialmente quando comparo a realidade do Brasil à de outros países. Claro que isso gera muita divergência e comentários nem sempre amigáveis. Há até quem me acuse de não conhecer a realidade brasileira, mas é justamente o contrário. Como vocês sabem, eu viajo muito, para muitos países! Isso explica minha revolta e meu desejo de mudança.

Gostaria muito que as pessoas acordassem, mas não se pode explicar o que não se vive. Hoje eu agradeço a possibilidade de ter conhecido o mundo. Estive em muitos países de culturas e sistemas políticos diversos, experiências que me permitiram estabelecer parâmetros inimagináveis, me dando um poder único de comparação.

E antes que você diga que não é justo comparar, eu posso categoricamente afirmar que somos uma potência em riquezas e arrecadação, mas somos também o país onde os impostos menos se convertem em serviços para população. Significa que poderíamos ter segurança, educação, saúde e infraestrutura, mas nosso dinheiro é desviado ou mal aplicado. Estive em países que há pouco menos de meio século mudaram o curso de suas histórias investindo pesado em educação (a chave de tudo), deixando pra trás os índices de pobreza e problemas sociais. Mesmo em nações menos ricas ou que enfrentam crise econômica, eu aprendi lições valiosas de respeito e dignidade. Vi pessoas honestas e trabalhadoras, cuja preocupação é crescer na profissão e não se tornar beneficiárias de programas sociais. Aliás, países decentes promovem pessoas, não os incentivam a serem amorfos. E o que significa respeito pelo seu dinheiro e dignidade? Pra mim é ver crianças de todas as classes sociais estudando nas mesmas escolas (públicas) e não ter que se preocupar com o nível de ensino; aliás em muitos países os pais sequer precisam se preocupar em buscá-las, já que elas podem voltar andando sem medo da violência.  Vale ressaltar que no Brasil existem muitas escolas e faculdades, mas não existe qualidade de educação, nem segurança (os professores brasileiros têm o terceiro pior salário do mundo). As crianças de hoje, são traficantes e prostitutas amanhã.

Pra mim qualidade de vida é poder sair de casa (usando o que quiser) e utilizar um transporte público eficiente sentindo-se totalmente tranquilo e confiante. É ir ao banco e sacar valores altos, passando por portas sem sistemas de detecção eletrônica e andar tranquilamente pelas ruas. Significa poder comprar uma Mercedez ou BMW pagando o mesmo valor de um carro popular no Brasil (que muitos ainda dividem a centenas de prestações pagando juros cruéis) e dirigi-los a qualquer hora do dia ou da noite sem medo de ser assaltado. Esses mesmos carros irão terão um custo de manutenção muito menor, já que as ruas e estradas estão sempre bem cuidadas e conservadas. É ir ao supermercado e comprar comida de qualidade sem ter que gastar muito, desconhecendo a inflação. É esquecer um smartphone ou uma câmera fotográfica num restaurante e encontrá-los no mesmo lugar quando voltar, afinal quase todos podem ter aparelhos eletrônicos. Respeito é ver as leis serem cumpridas por todos sem distinção de classe. É assistir na TV criminosos serem julgados e condenados à prisão, não havendo qualquer relaxamento ou artifícios que os coloquem de volta à sociedade. No Brasil não se combate o crime, policiais viram bandidos. Aqui pode tudo; aqui vale tudo. Eu poderia continuar escrevendo e dando exemplos reais daquilo que vejo e vivencio, mas acabaria me estendendo demais. O que me deixa profundamente triste é saber que a maioria dos brasileiros não conhece na prática tudo o que acabei de descrever. Aprenderam a conviver com o medo, com a corrupção, com a violência, serviços ruins e com a ideia de que o pouco basta. Não basta! O que falta para nos tornarmos um país de primeiro mundo? Que pensássemos e agíssemos como cidadãos de primeiro mundo. Que fôssemos menos acomodados e conformados. Recursos não nos faltam, o que nos falta é atitude.